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Leia isso, Ana Amélia

por the fazz, em 02.06.08

Este post é pra dizer coisas que eu não tive tempo de dizer. No sábado a gente ia numa festa Pimp, tá lembrada? Até pedi pra você mandar seu nome pra uma lista. Bem, eu tentei ligar no seu celular e ele parecia estar desligado. Quando eu estava saindo de casa pra festa, eu recebi uma mensagem avisando que seu celular já podia receber chamadas. Eu devia ter tentado ligar de novo, mas imaginei que como você ainda não tinha entrado em contato, havia desistido de ir pra festa. No domingo eu tava louca pra te ligar e dizer que eu havia sonhado com você. Um sonho super engraçado. Estávamos num balcão enorme de um bar. O Pélico estava lá e tentava te beijar. Mas você achava um grande atrevimento e descia porrada no pobre músico. Eu não sabia de quem sentia mais dó e acordei rindo muito.

 

Agora as pessoas perguntam se eu não vou ao seu velório. Desculpe, meu amor, eu não vou. Espero que me perdoe por não querer guardar na memória esse momento. Mas sim os momentos em que eu te vi sorrindo, dançando, resmungando com aquele seu humor ácido e fabuloso, teorizando sobre a relação de homens sem bunda terem o pau maior. Quero guardar na memória a insanidade de quem sai de uma endoscopia e vai almoçar num restaurante indiano com temperos fortíssimos não recomendáveis. Quero lembrar das nossas sessões online de domingo, tentando descobrir as trilhas das reportagens do Fantástico, só pela introdução (salve o trilheiro indie do programa dominical). Quero guardar o timbre da sua voz meio rouca, mega sexy-sensual, dizendo com seu sotaque paraense delicioso "eu gosto de ti".

 

Sabe de uma coisa, Ana Amélia, pra mim você nunca foi só Ana, nem só Amélia. Jamais Aninha. Sempre foi Ana Amélia, não por falta de intimidade, mas porque reforçava o fato de ser única. E Aninha, nunca combinou com você. Você é grande, não só nas proporções físicas dignas de um mulherão. Então, Ana Amélia, deixa eu confessar que ontem à noite me senti muito feliz por ser cristã. Está sendo uma barra aceitar que vamos ficar temporariamente longe um da outra, mas deve estar sendo dolorosamente pior pra quem não acredita que na verdade você continua por aí, sorrindo e fazendo graça. Daí, minha vó sempre me ensinou a rezar por aqueles que se foram. Eu, católica obediente, me agarrei às bolinhas do rosário e ao longo da oração percebi que elas deviam ser dirigidas à todos nós que aqui ficamos. Porque você sabe, Ana Amélia, a gente sempre sofre de auto-piedade. E ficar sem você por perto, combinando Astronete, CB ou A Lôca no fim de semana dói pra caralho. Então, peço permissão pra partilhar as intenções das minhas orações com todos nós que precisamos de um afago de Deus.

 

Vai brincar no Paraíso, minha flor, que o Vegas realmente era muito pequeno pra você. E só pra esclarecer, quando você fazia charminho dizendo "eu sei que você não gosta de mim, mas eu gosto de ti", no fundo, você tinha razão. Gostar é pouco, amo você. Assim, no presente mesmo, por causa dos meus cristianismos e porque sempre que tocar "Psycho Killer", a gente vai continuar cantando o refrão juntas.

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publicado às 17:18


4 comentários

De L. a 02.06.2008 às 22:43

Este post fez-me chorar, fez-me sorrir, deu-me saudades, deixou-me melancolica, deu-me esperança. *

De Renato a 06.06.2008 às 16:23

Lindo texto!

De Anónimo a 12.06.2008 às 15:40

Não tinha lido seu lindo post. Te amo Fá. Lindo. A Nêga realmente deve estar em paz, feliz. E nós aqui, juntos, vamos orando uns pelos outros. Saudade é inevitável.

De Patricia a 01.07.2008 às 22:51

Sua escrita é adorável. Auto-biográfica ou não, adoro o estilo e os temas, que são os mesmos que me fazem os dias.

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