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Parabéns

por the fazz, em 19.10.10

Parabéns, ele diz, passando com dificuldade por ela até o balcão. Como? Ela pergunta, intrigada com a abordagem. Desculpe, eu me confundo um pouco com essas formalidades da boa educação... acho que eu quis dizer “com licença”, ele diz com um sorriso sincero. Que gracinha, ela pensa, já que adora um elogio disfarçado com uma desculpa nonsense. Porra, fiz merda de novo, pensa ele, ciente das dificuldades de quem tem 82 de QI.

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publicado às 02:09

Sabedoria manda beijos

por the fazz, em 26.08.10

Português gesticulado é melhor que portunhol sem vergonha.
Eu sei a personalidade de uma pessoa analisando o que ela calça.
Frear um carro com o pé esquerdo não é boa ideia.
Só o Roberto pode empregar "lhe" nas suas canções.
Eu sei dar beijo que cura soluço.
Eu leio o futuro na borra de Nescau.
Eu sei de tudo isso. E eu sei de muita coisa.
Eu só nunca, nunca sei se o beijo do segundo encontro vai ser na boca ou no rosto.
Merda.

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publicado às 01:53

Conto nº2 para o dia dos namorados

por the fazz, em 14.06.10

Querido Deus, me sinto terrivelmente sozinha. Eu sei que esse é o tipo de coisa que talvez eu não devesse pedir, afinal, aprendi que o Senhor não é amuleto ou guru de amarração para o amor. Mas como hoje é dia dos namorados, sinto que serei imediatamente perdoada se ousar pedir um amor. Eu sei que não é assim que acontecem os seus milagres, e também não espero que o Senhor ponha um homem incrível aqui, diante de mim, como mágica. Eu só pensei que, qualquer dia desses, quando se sentir inspirado, o Senhor poderia me arranjar um belo blind date com alguém especial, que saiba notar as minhas qualidades e relevar os meus defeitos com facilidade. Que seja sensível e saiba dizer a coisa certa nos meus momentos difíceis. Que seja afetuoso, inteligente e tenha bom humor. Que me compreenda e me faça r...

- Com licença, moça... eu não quero parecer atrevido... e eu tenho certeza que vai parecer loucura o que eu vou dizer, mas eu senti que se não falasse com você, o resto da minha vida estaria arruinado. Eu sei que mal te conheço, mas se você aceitar tomar um café comigo, eu tenho certeza de que posso te convencer que não sou louco e quem sabe, fazer com que você sinta também o que eu acabei de sentir, se voc...

- Obrigada pela gentileza, mas não obrigada.

Ai, Deus, o Senhor não me deixou terminar. Eu ainda ia mencionar "bonito" e "que não use Crocs".

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publicado às 15:11

"Quando eu era pequeno, achava que era grande. Quando eu cresci, eu encolhi"*

por the fazz, em 29.04.10

Ele nasceu durante meu hiato de 10 anos no Juazeiro do Norte. Esse é o nosso primeiro encontro. Agora ele já tem 8 anos e está me observando com um olhar curioso. Mas é família, e devo acrescentar, família nordestina. Isso quer dizer que a gente já se gosta só pelo cheiro. Aos poucos, trocando as primeiras palavras, começo a compreender que o enigma nos seus olhinhos está longe de envolver somente as curiosidades inerentes sobre a prima da cidade grande (que era somente um nome até então). É uma investigação séria sobre algo que só uma incógnita genuinamente infantil poderia suscitar.

- Ei... quantos anos tu tem?


- Vinte e oito.


- EITA! - ele lança impiedoso. Graças à grande distância do período da minha TPM, eu encaro com graça a inevitável franqueza de uma criança.

Mas o ponto de interrogação ainda não se apaga do seu rostinho alvo. Com uma expressão ainda mais confusa, ele investe uma nova pergunta:

- Tu é jovem?

Aí está. Olho ao meu redor e compreendo defintivamente que é mesmo difícil me catalogar. Eu não sou como os outros primos pequenos, e também não pareço sua mãe. Eu sou muito grande pra ser uma criança e muito solteira pra ser gente grande.

- Jovem? Acho que sim. Espero que sim.

Ele abriu um sorrisão, ainda cheio de dentes de leite. E eu acompanhei como num bocejo. Resta ainda uma última dúvida. Ele tá pronto pra encerrá-la:

- Qué dizê que tu pode brincar com a gente?


- Sim. Claro que posso.


- Então bora brincar de algo que criança e jovem pode brincar.

E aí, colega, entenda que se você aceitou o desafio de ser jovem, você não tem a obrigação que teria uma criança de gastar toda a sua energia tentando alcançar a velocidade da luz. Mas espera-se um pouco de esforço da sua parte. Pelo menos, um pouco mais do que investiria alguém que faz parte da tag "gente grande".

 

 

* Trecho da música "Do you remember Laura", da lindíssima Lulina.

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publicado às 02:49

"A gente combina"

por the fazz, em 20.04.10

- Bom dia, mocinha.

 

- Gente, você já ligou mesmo?

 

- Hummm... isso é ruim?

 

- Não, não é. Eu tô feliz que você tenha ligado. Mas você sabe, né, você perdeu uma grande oportunidade de gerar toda uma expectativa até o fim do dia.

 

- Qual o sentido? (Ele ri) Eu não quero joguinhos com você. Eu só tive vontade e liguei. Acho que não tem nada de errado nisso. Tem?

 

- Não, claro que não. Essa sou eu reagindo à algo incomum. Incomum e fofo.

 

- É. Vai acostumando porque eu tenho essa mania besta de ser incomum e fofo.

 

Ela sorri silenciosa. Mesmo sem ruídos, ele sabe que ela está sorrindo.

 

- Quer tomar uma cerveja mais tarde?

 

- Aceito, mas preciso saber de uma coisa.

 

- Manda.

 

- Quando a gente se encontrar, vai rolar um beijo no rosto ou na boca?

 

- ...como?

 

- É que sempre tem aquele impasse de segundo encontro, né? Teoricamente a gente já se beijou hoje, eram 3h quando cheguei em casa... mas ainda assim, se a gente vai com intenções diferentes e rola um beijo desencontrado, fica aquele desconforto de pelo menos 30 segundos... mentalmente a gente leva a mão à testa: "droga! ele ia beijar na boca!" e sei lá... eu só pensei que se a gente combinasse antes, podia evitar esse constrangimento...

 

Grato pelo advento do telefone que ainda impede que as pessoas enxerguem a expressão de quem está do outro lado da linha, ele suspira e responde.

 

- Ok. Não vejo mal nenhum em ser na boca. Pode confiar que eu não vou desviar.

 

- Ótimo.

 

- Que horas posso te pegar?

 

- Só mais uma coisinha. Já que você vem me pegar e a gente vai descer do carro juntos rumo ao bar, só me esclareça se a gente vai andar de mão dadas ou não.

 

- Por que a gente não espera pra sentir na hora, Natália?

 

- Porque não funciona. É o mesmo caso do beijo desencontrado.

 

- Então me diz, o que você prefere?

 

- Ah, eu prefiro mão dada. E ao contrário do que a maioria de vocês acredita, não tem nada a ver com "demonstrações de compromisso sério". É por conforto mesmo. Ninguém anda na rua super à vontade calculando a distância que tem que manter do outro. E muito menos tentando lugares alternativos pra se botar a mão. Não me venha segurar pela nuca, ou se apoiar no meu ombro, por exemplo. Dá muita agonia. Pode ficar tranquilo que por mãos dadas eu não entendo que é preciso encomendar as alianças.

 

- Ok, Natália. Enquanto houver uma calçada pra ser caminhada, ela será caminhada de mãos dadas. Combinado? Mais alguma solicitação?

 

- O beijo.

 

- O beijo? Você quer combinar o beijo?

 

- É. Ontem a gente bebeu um pouco e talvez isso tenha interferido, mas só pra assegurar que algumas coisas não se repitam, a gente pode combinar que língua enrijecida não ajuda em nada.

 

- Do que você tá falando?

 

- Que não precisa deixar a língua tensa, querido. Nem usar aquele método "mixer".

 

- Que diabo de método "mixer"?

 

- Aquele em que você deixa a língua girando, sem parar... tipo, minha boca não é uma betoneira. Dá náuseas, sabe?

 

- Escuta, você tem certeza de que já saiu com outros caras antes?

 

- Claro, e nenhum deles batia dente. É muito desagradável. Acho que se você for com calma, a coisa acontece, não tem porque se desesperar durant...

 

- Olha, Natália, acho que é melhor a gente cancelar essa cerveja, ok? Acabei de lembrar que tenho um compromisso inadiável. A gente se fala, tudo bem?

 

- Poxa... você tá me dando um fora antes mesmo de me conhecer direito?

 

- Acho que conheci o suficiente.

 

- Ok, é um direito seu. Mas posso pedir uma coisa?

 

- Por que não, né?

 

- Assim, já que a gente frequenta os mesmos lugares, vez ou outra a gente vai acabar se encontrando e vai ficar aquele clima chato de fingir que não se viu, ou de dar um "oi" falso como se nada tivesse acontecido... a gente podia estabelecer regras de como a gente se comporta quando estivermos com amigos em comum ou como evitar que você, desavisado, acabe beijando uma amiga minha por aí e...

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publicado às 02:03

"Barbie em chamas"*

por the fazz, em 11.12.09

- Alô? Vinícius?

 

- Oi?

 

- Isabel, tudo bem?

 

- ... oooooi, Isabel...

 

- Pode falar?

 

- Posso, posso...

 

- Eu sei que você não ia ligar, então liguei eu.

 

- Magina, Isab...

 

- Mas se eu fosse você, eu também não ligaria. Eu sei que não causei lá aquele impacto ontem à noite. Por isso acho que você deveria me dar outra oportunidade. Eu preciso provar que eu não sou só uma garota que abre um sorriso fácil depois de três drinks coloridos de vodka. E se é essa a impressão que você tem, você está completamente enganado. E eu não posso permitir que um homem seja tão bonito e tão enganado. É pecado.

 

Ele ri.

 

- É mesmo? E o que eu deveria saber sobre a Isabel que eu não conheci ontem?

 

- Bem, pra começar, ela gostou de você. E isso já não se deve ignorar. Ela gosta de um monte de bandas legais, mas admite pra poucas pessoas que adora ouvir Roxette de vez em quando. Se um dia você souber disso, é porque é de confiança.

 

- Ace of Base. Só ouço no K7, assim nenhum registro de last.fm me denuncia.

 

- Viu só? A gente precisa se ver de novo. Sabe quando você entra numa loja e o funcionário te convence a olhar melhor a mercadoria sem compromisso? Pensa que é quase isso. Na pior das hipóteses, será uma tarde bem gasta tomando uma cerveja e ouvindo sucessos de Roxette e Ace of Base.

 

- É, isso nunca poderia ser ruim.

 

- Claro que não. E de papo, acredite, eu sou muito boa. Posso falar de teoria do caos e cocô com o mesmo entusiasmo. Eu ainda sei o truque de fazer a moeda sumir, estralo o maxilar, imito pelo menos 3 personalidades. Não tem como você ficar entendiado, eu juro, você não tem nada a perder.

 

Ele ri. Escolhe as palavras.

 

- Que coisa louca, isso. Louca e boa, na verdade.

 

- Se é boa, justifica toda a loucura. Eu acho.

 

- Isabel... por favor, diga que pode me encontrar ainda hoje.

 

Silêncio.

 

- Ahn? Hoje?

 

- É, quanto antes melhor. Você me deixou ansioso pra te ver de novo.

 

- Hummm... ansioso? Por que?

 

- Como por que, Isabel, você convence qualquer homem do que quiser. Eu mesmo, pra minha surpresa, tô morrendo de vontade de te ver. AGORA.

 

- Pra sua "surpresa"?

 

- Não... espera, não entenda nada errado... é só que realmente, achei que ia ser só um lance de balada, mas você está certa, eu realmente a subestimei... pode até ser precipitado, mas eu estou quase convencido de que você é tudo o que eu procurei a minha vid...

 

- Peraí, rapazinho... você tá querendo dizer que eu te ganhei pela insistência, é isso? Que eu não sou tão atraente e preciso de argumentos pra conquistar as pessoas? É isso?

 

- Você tá louca? Eu não disse nada disso, eu só sei que agora...

 

- Pois fique sabendo que eu sei me colocar no meu lugar, que eu sei bem que química não é algo que se pega no tranco.

 

- Isabel, você bebeu? Do que voc...

 

- Olha aqui, Vinícius, se você não soube dar valor quando teve a oportunidade, sinto muito. Eu sou uma mulher fantástica que não precisa correr atrás de homem nenhum, muito menos ficar adulando marmanjo pra um encontrozinho. Fique aí, regulando essa mixaria.

 

Mudo.

 

Vinícius, não o telefone.

 

 

* título livremente chupado de Felipe Lacerda.

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publicado às 02:04

The Great Opening

por the fazz, em 09.10.09

- Ou, ao invés da gente se separar aqui, você podia ir lá pra casa.


- Pra sua casa?


- É. A gente podia ir pra lá, assistir o canal de leilão de gado, comer pipoca, tomar vinho, aprender código Morse...


- Em que situação seria útil saber código Morse? - Ri.


- No caso de estarmos no cinema e eu quiser comentar com você que é uma péssima idéia fazer um playback da Penélope Cruz cantando, sem atrapalhar os outros na sala. Toques longos e curtos na sua mão que não vão ser seguidos de um sonoro "shhhhh!".


- Tá, eu gosto da idéia. Gosto de você também.


- Sabe que inventaram uma convenção chamada "namoro" pra oficializar esse sentimento mútuo?


- Você acha que a gente devia tentar? Embora tenha virado modinha?


- Depois que a gente entrou na modinha sem graça de 3 refeições diárias e exercícios físicos regulares, acho que a gente não tem nada a perder.


- Então fecha o olho. A gente começa a namorar em 5, 4, 3, 2...

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publicado às 23:28

...

por the fazz, em 14.09.09

Terminal Bandeira, a um passo de entrar no ônibus, um rapaz atrevido decide furar a desprezivelmente minúscula fila de embarque, bem na minha frente.

 

- Escuta aqui, moço. Você não acha que é folgado demais não? Você percebeu que só havia 3 pessoas atrás de mim? Custava ser um pouco menos grosso e aguardar o resto da fila entrar? (Dou finalmente uma boa olhada no rapaz). Tá pensando o quê? Só porque você tem esse rostinho bonito pode falhar tanto na educação? Hein? O ônibus nem tá cheio, você ia sentar de qualquer jeito, não precisava nem furar a fila nem ficar me dando esse sorriso meio... encantador... Quer fazer um favor? Aprenda a ter modos e vê se me dá logo a merda do seu telefone.

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publicado às 15:35

Dentro de um conto de Miranda July

por Pedro, em 20.07.09

 

 

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publicado às 21:02


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