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Lágrimas no metrô

por the fazz, em 30.09.08

Foi inevitável. Antes que ela pudesse enviar algum sinal pro seu organismo impedir aquilo, já estava feito. E ela chorou às bicas, ali mesmo no banco cinza do metrô. O senhor tentou ser indulgente, mas aquilo já estava fora dos limites. As lágrimas da moça se multiplicavam em uma progressão geométrica. Ele tinha que se manifestar. Olha, dona, a senhora me desculpe, mas assim não dá. Num tem cabimento uma moça como a senhora se acabando de chorar assim, aqui na frente de todo mundo. Ainda mais no banco reservado. Se essa senhora aí do lado fosse cardíaca? A senhora precisa pensar nas conseqüências de abrir o berreiro desse jeito. Imagine, no transporte público! É muito inconveniente seguir viagem com uma mulher desmanchando no meio do povo, na hora do rush. A gente fica sem saber o que fazer, a senhora aí toda vermelha, enfezada, descontrolada... todo mundo aqui precisa chegar no serviço e não há o que fazer por uma pobre coitada que tá chorando no metrô. Vamo, minha senhora, engole esse choro, tenha decência. Eis que a pobre moça engole seco um soluço e olha sem curiosidade para o piso do vagão. O senhor acompanha o olhar da moça e flagra 4 lágrimas junto aos seus sapatos de boneca. Fracamente! diz, esbaforido. A senhora ouviu o que eu disse? Pensa que eu não vi esses 4 pingos aí? É a estação Sé e 37 pessoas se esmagam no vagão abafado, girando, trôpegas em direção da moça que ainda tem 3 estações de jornada. Cheia de auto-piedade, a moça prende a respiração para se preservar do fedor do coquetel de aromas: cachaça, suor e mau hálito. A senhora ao lado perde as contas do rosário com a parada abrupta na estação Brás e passa a vigiar. Ai dessa moça, se perder o equilíbrio emocional. Encostado à uma das portas, um jovem contorce-se em busca de um cortador de unhas no fundo de um dos bolsos. Para espanto dos passageiros, num perímetro de 30 x 30 cm, o rapaz começa um téc téc agonizante, desafiando toda a convenção de higiene e bons costumes. Talvez, de sanidade. Um projétil de unha atinge a pobre moça. Ela olha em volta com uma expressão desesperadora, esperando aprovação. O senhor olha piedoso: tá, moça, agora pode.

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publicado às 22:28

12 na escala de Richter

por Pedro, em 30.09.08
O abraço deles podia juntar continentes.

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publicado às 07:27

Strangers in the night

por Pedro, em 28.09.08
- Quero que todas as pessoas que ainda não conheci sejam como tu.

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publicado às 10:23

Orientações

por the fazz, em 25.09.08

Tá, eu aceito. Mas prometa que mesmo quando tivermos filhos, netos, labradores e conta conjunta, sempre que peguntarem, sua resposta continuará sendo a mesma: é minha namorada.

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publicado às 16:22

Não se atreva a mentir

por the fazz, em 21.09.08

Ela perguntou "Você não notou nada de diferente em mim?" Ele ficou naquela sinuca de bico, característica do cliché que envolve essa situação. Ela permaneceu em silêncio, esperando ser observada minuciosamente. Ele a observou minuciosamente. Ela manteve a tranquilidade e a iminência de um sorriso nos lábios. Ele confessou, embarassado que não. Não notara nada diferente e até poderia ter arriscado dizer que o corte de cabelo mudara, a roupa lhe caíra melhor do que antes, mas ele não suportaria nem tinha qualquer habilidade em mentir. Ela o beijou demoradamente e afrouxou os lábios no sorriso que escapou, aliviado. Ele angustiou-se com a certeza de que realmente não se pode compreender as mulheres. Ela se retirou em paz. Que maravilha ele não ter notado. Ela mal podia imaginar que pesadelo seria se ele ao menos desconfiasse. Mal suportaria o tormento se ele tivesse acertado em cheio e tivesse respondido "Claro que notei. Você removeu o buço".

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publicado às 01:46


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